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A Estilística do SOM e da Palavra


A sonoridade pode ser algo bem representativo no texto, haja vista muitas canções, nas quais a sonoridade/musicalidade não se faz tão perceptível, muito embora elas apresentem belíssimas letras, grandes conteúdos, entretanto, nem sempre caem nas graças dos ouvintes/leitores, independentemente de seus níveis intelectuais. Claro que esta afirmação se faz bem mais pertinente quando se trata de poemas, mais que para outros tipos de textos também é válida.
Esta tal sonoridade não se restringe apenas ao ritmo, que tanto cativa os ouvintes e leitores de um modo geral; ela vai alem: há termos como bem atesta o TP5, mais especificamente o texto Palavra, que por si só parecem revelar o seu sentido, ou pelo menos uma boa ou má impressão a respeito dela. Como exemplo: “Nada é mais fúnebre do que a palavra fúnebre...”, ou, “Nada é mais amarelo do que a palavra amarelo”.
Outro texto que nos chamou bastante atenção, por entendermos que há uma ligação, uma intertextualidade com o já citado do TP 5, é o conto Cantilever, também já citado no início da nossa discussão a respeito do plano de trabalho.

Um garoto ao ver ou ouvir uma palavra até então desconhecida para ele, tinha um método bem original para tentar descobrir o seu significado: o menino associava imagens que ele próprio julgava “parecidas” com o som do vocábulo. Depois, ele procurava ver ou conferir se o sentido coincidia com a sua impressão. Em alguns casos, havia aproximação com relação ao sentido; em outros, não.
Num desses casos, o autor dá destaque à palavra cantilever, nome que intitula a narrativa. A tal palavra tirou o sono do jovem adolescente. O mesmo passou semanas procurando associá-la a uma imagem, mas nada de conseguir. Até que, quando já estava à beira da desistência, veio a salvadora imagem de plantas verdes, grandes, maravilhosas... Algo semelhante a uma vitória-régia. Isso o deixou maravilhado, cheio de certeza, e foi resoluto, decido ao dicionário. Não encontrou coisa alguma! Procurou em outras dezenas... Acabou encontrando. E o sentido nada tinha que ver com o que ele imaginara. Na verdade, o sentido era algo relativo a algum tipo de máquina.

Algumas palavras por razões diversas podem se assemelhar a outras, levando o leitor ou ouvinte a interpretá-la de um modo equivocado. O certo é que em nossas, as palavras “parecem com as coisas”, porém isto não é uma constante, porque muitas vezes o som ou a fonética nos leva a esta impressão por conta dos radicais.


Baseados nesta reflexão, é possível induzir os alunos a refletir, ou mais que isso: SENTIR o poder, a musicalidade e o sentido das palavras.
Texto criado pelos cursistas: Cláudia Maria da Silva
Cristino Monteiro da Costa Filho
Mário Antunes da Silva Júnior
Formadora: Nayra Chaves